segunda-feira, março 30, 2009

estrada fora de novo

Vou pela estrada e olho em frente
Onde o destino será o mesmo
Com o GPS por amigo
A musica no ouvido
O olhar atento ao azul do céu

buscando o infinito no olhar
ofusca-me este sol intenso
tacteio ao lado o teu corpo
sinto no ar a tensão
que se solta em cada palmo

Da boca saem as palavras
que não queres ouvir
soltas ao vento feroz
que esfria os dedos
que nos esfria de gelo

quinta-feira, março 12, 2009

Acordo

Acordo nos teus braços feito criança
fazes gestos lentos abraçando giestas
beijo-te o corpo num frenesim de primavera
beijas-me a boca lentamente
como quem quer saborear-me

Digo-te sussurrando que te gosto
em cada gesto que me ofereces

Lá fora as andorinhas já buscam os ninhos
os melros já cantam ao nascer do sol
O calor já invade a varanda
onde os nossos corpos aparecem abraçados

digo-te baixinho que te quero
e acordo com o teu corpo ausente

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

O SOL

Este sol que me entra, muito de manso pela janela
Num fim de tarde ameno em que ao longe o castelo brilha
esta nostalgia do blues, john mayall por exemplo
este blusie da Melua
ao fundo o brilho do sol
na mente as palavras que não soltei

Hoje cruelmente não há vento
nem brisa sequer
que me roube o que digo
que me impeça de o dizer alto e para longe

Hoje este sol faz-me lembrar o da Sapec
antes dos meus pais chegarem do trabalho
que se reflectia em tons prata no rio
que se reflectia em tons esverdeados no eucaliptal

Sempre quis partilhar contigo estes momentos
mas as esquinas sobram na minha frente sem te encontrar
o champagne gela sem que o possamos beber
mais logo junto a uma qualquer praia
mais logo quando o sol se puser no rio
No oceano
quando a noite cair e me fizer adormecer nos teus braços

domingo, fevereiro 22, 2009

falar pelos dedos

Deixa-me dizer-te por escrito o que sinto
as palavras em mim não me saem da boca
tenho-as na ponta dos dedos
e solto-as pela caneta do momento

Deixa os teus olhos soltarem o que sinto
nas palavras que escrevo com prazer
que a raiva que o vento não as come
quando as não digo pelas esquinas

Olha-me nos olhos, mas não me ouças
que não consigo dizer que te amo
amor, escrevo nesta folha
enquanto o sol brilhar de felicidade

sábado, fevereiro 07, 2009

A forte vontade de te ver
de estar contigo
de percorrer com os dedos
o teu corpo quente

O dia a dia imbecil
absorvendo as noticias da crise
sem te enviar o beijo
que guardo com amor

Esta humidade que nos envolve
os corpos sem piedade

Deixa-me entrar suave
no paraiso do teu olhar

terça-feira, dezembro 16, 2008

De novo as esquinas

Hoje fui passear o frio pelas ruas do centro desta cidade esventrada
lembrou-me o tempo de ti
quantas vezes percorri aquelas ruas acima e abaixo
quantas vezes
central até á tua casa
da tua casa ao central
com frio, chuva ou sol quente
para te sentir o abraço
para te sentir o beijo

Lembras-te?
Do teatro que fazíamos por gosto que percorria o distrito
Das idas ao cinema de discussões acesas
da musica que juntos absorviamos
que delicia maria bethania
Dos passeios no carro do Coelho
Dos beijos furtados pelas ruas ainda seguras desta cidade ainda possivel
Das manhãs de fugida numa cama coberta de amor

sexta-feira, novembro 28, 2008

Porque não ?

Sentimos a chuva a percorrer o nosso cabelo
o cheiro da terra penetra fundo na memória
da nossa infância
O tempo em que percorríamos as ruas de Paris
pensando nos que tinham ficado
nesta terra que odiamos e amamos
O Sena corria lá em baixo e fruto das chuvas barroso
castanho escuro e turbulento
turbulentas as memórias
de quem num dia de chuva intensa chorou de alegria
pelo regresso , pelo reencontro
Hoje não há regresso nem reencontro
mas todos os dias reencontramos nas ruas que percorremos
a memória de alguém que conhecemos
bebo a quem já não encontro por aí
bebo a quem encontro e no entanto desencontramos nas ruas da vida
bebo a quem ainda está nesta vida de cabeça erguida
olhos serenos
e percorre as ruas deixando lentamente que a chuva lhe percorra os cabelos

domingo, novembro 09, 2008

o paraiso ?

Abriste-me o horizonte deixando-me ver o teu paraíso ,
deixaste-me ver as mil e uma faces
que todas as vezes que as olhas te dizem algo de novo
disseste-me que podia usufruir o espaço
sem que tal fosse considerado no nosso livro de promiscuidades
Deste-me um abraço de amizade
perguntas-me se tenho um espaço para ti
não o teria já ?
Nem que digam obscenidades e violem os meus sentidos
eu serei e estarei sempre aqui

terça-feira, novembro 04, 2008

Os dias

Os dias passam depressa sob o que costumamos chamar de vida
Que é que houve naquele dia distante que num repente
Conseguiu fazer com que esta dor se instalasse
que ventos foram estes que num repente, qual furacão
conseguiram acabar com o sossego das praias
da musica do próprio Coltrane
Sentimos um arrepio e apercebemos que afinal
o inverno entrou na nossa vida
e queremos correr desesperadamente para a primavera
ver desabrochar as flores
os amores
e para um verão de calor cheio de vidas á nossa volta
Os dias passam depressa e mal os preenchemos
Os amores passam depressa e mal os saboreamos
os amores e os dias confundem-se numa amalgama de luz e calor
de frio e escuro
de vento,
que desesperado teima em levar a sua raiva a soprar aos nossos ouvidos

quinta-feira, outubro 30, 2008

Um jogo

Porque é que quando pensamos que estamos bem, vem uma ventania terrível e nos coloca no ponto de partida ?
A sua raiva leva-nos o que escrevemos na areia das praias
os nomes, as formas, os princípios
Olhamos o que pensámos ser um caminho que escolhemos e verificamos que afinal o caminho está cheio de falhas e curvas
A vida fica como um jogo onde saimos de uma casa e temos que chegar á casa final o mais ilesos possivel
E se temos alguma consciencia sem magoar os outros jogadores que vão caindo nas nossas casas
Mas é muito dificil que nestes encontrões e nestes vendavais não hajam encontrões e feridas que a pouco e pouco vão sendo lambidas e curadas ( semi )
O que vale é que ainda há portos de refugio onde podemos beber um copo e ouvir uma musica de que gostamos, um sitio para beber um chá, ler um livro e ver o mar
O que vale é que ainda há pessoas honestas para compensar a desonestidade.

domingo, outubro 19, 2008

Vivemos

Vivemos uma vida a pensar no amor
afinal a dor é imensa e resta a nostalgia dos momentos
Vivemos uma vida a dobrar esquinas
que esquinas não há que dobrar e nunca se chega ao fim
vivemos convencidos que sabemos
o que afinal nem sequer pensamos saber
vivemos em função de impulsos
uns e outros motivados pelo desejo
de uma felicidade que não alcançamos
vivemos no dobrar rápido dos dias
sob o engano das noites de lua cheia
vivemos sem o carinho dos peixes
que se movem neste vasto oceano
nem as caricias deste calmo e sereno rio

quarta-feira, novembro 28, 2007

Ternura de um olhar

Sentir nos teus olhos a ternura
Com que enfrentas todos os dias o sol
Sentir no teu beijo a tremura
de sentimentos esfriados
Querer dizer-te o que te quero
Tocar-te ao de leve e aquecer-te
Ter a tua cabeça no meu ombro
beijar-te os olhos ao de leve
Vem inteira e sem temor
diz que me amas e me queres
Abraça-me nos teus braços
aperta-me no teu seio
Beija-me com a tua boca
e sente o meu desejo subir

segunda-feira, novembro 26, 2007

As esquinas , sempre as esquinas

Sorver-te os seios de loucura
Nas praias brancas que não percorremos
Percorrer as ruas desse corpo
olhando cada esquina de surpresa

Este frio que nos faz apertar
corpo contra corpo de carinho
Este sol que nos faz despertar
Rompendo nesta cama deserta

Sorver-te os seios de mansinho
como quem bebe a ultima bebida
dobrar-te as esquinas da alma
amando-te cada palavra proferida

quarta-feira, julho 11, 2007

Lua distante

Se fosse fácil amar-te
como quem ama uma lua
Se fosse fácil desejar
que estivesses aqui, nua

desejar-te despida
numa noite de luar
corpo queimado do sol
que teimas em beijar

As esquinas que dobrei
as veredas que corri
as mulheres que "amei"
tudo para ti ?

Sonho alto na noite
e a lua vem devagar
pousando na minha testa
dizendo que és o luar

segunda-feira, julho 09, 2007

O calor

Sinto-me de repente livre
Como a andorinha que refez o ninho desfeito
como os meus gatos que teimosamente depõem um rato á minha porta
Volta e meia o calor aquece o ar que respiro
Aquece o ar que respiramos
Mas elevo-me nele e abro os braços
À felicidade que me escapa

Sinto-me de repente como se tivesse algemas
apertando os pulsos de vermelho

Sinto-me de repente
e grito na noite escura á lua
que teimosamente não sai da frente da minha janela

quarta-feira, junho 20, 2007

Quase Verão

A chuva teima em não nos deixar
mesmo que miudinha e cheia de boa vontade
Daquela que me preencheu os dias em Paris, tão distantes
Da que me acompanhava errante junto ao Sena
Só o cheiro que emana é diferente
Tem a ver com as novas sensações que nos preenchem o corpo

Apesar de tudo lá vamos percorrendo de miudo os corpos nus
prevendo as suas linhas escorridas nas areias brancas das praias

Gritando aos ventos as nossas raivas incontidas
Sorrindo para o céu cada vez que se abre o sol entre as nuvens

terça-feira, junho 12, 2007

Pois é !!!

De manhã acordo com o som dos melros fora no jardim
e Lembrando-me sempre o teu sorriso
O sol tem teimado em chegar de vez nesta primavera
Mas as andorinhas voltaram ao mesmo ninho
Tal como nós voltamos aos mesmos sitios
Mesmo que sem as mesmas razões, sensações
Olha bem fora a ver se não tens os mesmos melros
As mesmas andorinhas nesse ninho de varanda
As mesmas notas soltas daquele saxofone
A voz da Ella a cantar solitude
de manhã acordo e levanto-me para ver se o teu sorriso continua no chilrreio dos melros fora

terça-feira, janeiro 23, 2007

O Frio e a Lua

Quando o frio desperta em nós a raiva
Acendemos a lareira a esperamos
que o calor nos invada de vagar o corpo
Bebemos um trago de champagne em flute gelada
Como a noite que faz lá fora
Então entoamos quase sem querer aquela música
que nos fala de alguém bem conhecido
Olhamos a janela a ver as estrelas
E a lua está bem lá fora à nossa espreita
Em busca de uma gota que se desperdice
Falta alguma coisa na noite fria

domingo, janeiro 07, 2007

Amanheceu

Amanheceu húmido e enevoado por cima da cidade
Dentro de mim o calor que restava de outras noites
Logo mais sobre a baia da cidade
vou coleccionando os olhares das gaivotas
Os raios de sol que restarem vão ser fruto
de repasto dos poucos que conhecem ainda este local
os gritos das gaivotas vão-se ouvir por dentro das pedras da calçada
O uivar dos ventos em noites de tempestade
serão abafados então pelo azul deste rio que já o foi
Pelo branco da neblina que o cobre
Pelos golfinhos que alegremente nele saltaram
Pelos beijos roubados á sua beira