segunda-feira, julho 17, 2017

Olho lá fora a calmia
na lembrança os anos em que os nossos corpos se conheceram
Os dias a custarem a passar na melancolia dos domingos
Sinto a pele arrepiada dos caminhos percorridos contigo
Sinto ainda a nostalgia de estar aqui
A tristeza de quando a cama era o refugio
Sinto no corpo o peso das manhãs passadas em sexo e amor
Falta-me o teu olhar de gozo e as tuas mãos de meiguice
Tento reaprender os teus olhares e gestos
Devolvendo-te o meu amor


quinta-feira, abril 28, 2016

Por e para ti

Um dia chorei por ti !
Desvanecias-te por entre a bruma
Desaparecias nestas esquinas que eu teimava em dobrar

Um dia o mar tinha uma estranha cor purpura !
O caminho da tua casa era longo e cheio de curvas
os teus beijos ainda os guardava para recordar

Ainda chegamos a falar!
Tu distante e sem o sorriso que sempre te conheci
Eu sempre a socorrer-me do mar para te ver
espelhada nele como das vezes

Agora dizes que me amas
Que te perdeste num caminho sem sentido
que o meu amor o sentes na brisa
que queres recuperar o tempo

E vieste confiante
entregamo-nos confiantes
E as esquinas desapareceram
O teu corpo ainda se arrepia no percurso das minhas mãos
a tua boca suga sôfrega a sofreguidão da minha
"Amo-te de uma forma incondicional"
Escrevi na areia da praia bem distante da água
não se vá apagar.

domingo, setembro 14, 2014

Procuro

Procuro na sombra o sinal do vento
Percorro as ruas sempre e sempre
Sempre no teu encalço

Por vezes encontro-te nos sítios onde não vou
quem sabe porque eu e tu somos o desencontro
Teimo sempre em olhar para o azul do rio
acreditando que é lá que vais surgir

Sonho contigo a meu lado
percorro o teu corpo de desejos
amamo-nos desenfreadamente
no areal da praia deserta
Descansas o teu rosto no meu colo
Afago-te o cabelo desenvolto
Beijas-me com sofreguidão

Procuro-te de noite a meu lado
apenas um travesseiro deserto




sábado, julho 12, 2014

OLhos

As esquinas sucedem se nesta cidade
e as ruas vão todas desaguar
na enorme praça de gente .
surges num repente, olhos penetrantes
voz de menina suave e terna 
vens encher me os dias de perfume
as flores vergam se ao pronunciar o teu nome
a cor do céu enche-se de azul 
onde as andorinhas se recortam em preto
donde vieste que não te procurei 
com esse teu ar tímido e hesitante ?
para que vieste com esses olhos
que me enternecem a noite ?

Há dias


Há dias assim, o sol desponta no horizonte 

os melros cantam no jardim 
vejo-te recortada na luz da janela
acaricio-te os cabelos e estremeces 
falo-te dos anos sem cabelo para acariciar
dos tempos sem melros lá fora 
da ternura do teu olhar 
dos dias que faltam no passado da nossa amizade
falas-me te ti com pudor
mas sempre com esse olhar terno
de quem descobre quem sou
falo-te do que pode ser o futuro
que dizes recear
falo do derrubar de muros
pedes-me ternura e compreensão
tempo, como o inverno não da lugar ao verão
beijo-te os cabelos e seguimos lado a lado
continuando a conversa que temos em atraso desde a infância