Domingo, Janeiro 29, 2012

Duvidas (2 )

As esquinas escondem o medo do compromisso (?)
Na curva de cada uma delas há uma cara de mulher
Em cada cara a ideia de perder o que sou ?

A imagem reflectida nas pedras são indefinidas e cinzentas
Apareces tu entre elas e desapareces
Afinal, sempre exististes
no dobrar de cada esquina eras tu e não eras
Os corpos que amei eram um ou muitos ?
Estariam no meu caminho para me amar ?




duvidas

Quando estamos sós
numa noite fria e húmida
de trespassar os ossos de dor

Pensamos na partilha
olhamos as esquinas que se dobraram

Será que conseguimos mesmo ?
Que estamos prontos a dar ?
Que podemos partilhar tudo da nossa vida ?

Quando a solidão aperta
temos a certeza
temos a força do vazio
queremos mesmo ser dois num

Mas depois
na imagem que temos
de uma vida a dois ?

Seremos capazes de o ser ?
de dividir com o outro os espaços ?

Quinta-feira, Dezembro 22, 2011

O tempo

Sentes como o tempo passa ? Como quem vai num avião e vê passar as nuvens em alta velocidade, e de repente ainda mal saíste já estás no teu destino ?
Sentes os beijos que ficam por dar, os abraços, os imensos e ternos abraços ?
Quando olhas para a frente vês que o filho que nasceu ontem já é um homem
Sentes o peso do tempo, no peso que tens nos ombros
E de repente vês o mundo desmoronar-se em pedaços do que julgas ser um futuro incerto
De repente sentes a humilhação de teres estudado e vivido para alguém sem o teu consentimento e impunemente te roubar
Sentes que os cravos que trazias nas mãos perderam o perfume e a cor
Sobretudo a cor
essa cor de sangue, do sangue que foi derramado para que surgisse a alvorada
Mas não hesites em gritar ao vento a tua raiva
Vamos concerteza passar mais esta armadilha do tempo
Já não temos o Zeca , mas teremos outros que saibam cantar os novos vampiros
Os poetas saberão dar voz á revolta
Acredita que ainda é possível que a verdade e a honestidade vençam

Nesta noite imensa de frio dá-me a mão
caminha comigo ao longo desta praia deserta
Vamos chamar as gaivotas sedentas de peixe.

Beija-me forte e com ternura
mas sem que me feches a boca aos gritos
nem as mãos para que bradam enérgicas.

Terça-feira, Novembro 01, 2011

o vento e o sol

Olho em volta e não te encontro
Amor de uma vida inacessível
Tento ouvir a tua voz, mas o vento ...
Tento ver-te ao longe mas o sol ...

Sinto o teu cheiro ainda no meu corpo
E o tesão sobe por mim
Sinto o macio da tua pele
A doçura dos teus beijos
A tua voz nos meus ouvidos
Murmurando palavras
que só tu me sabes dizer

Barco

Qual barco que sai do porto em busca de peixe
foste pela estrada que escolheste
vais singrando as altas ondas, qual surfista de elite
Aprendes o frio e as tempestades
O estar só num barco no mar sem fim
O grito das gaivotas
O canto das sereias
Sei que tens o leme bem firme na tua mão forte
E que o norte te está nos olhos, no horizonte

Domingo, Setembro 18, 2011

O dia

O dia acordou ameno
dirigi-me para a praia
na esperança de um lugar

Instalei-me na areia
O mar estava chão

As pessoas começaram a invadir o areal
e com elas os vários sons
As receitas culinárias de matrafonas
que para aqui vêm todos os dias

Os jornais que se pedem
pelas noticias das desgraças

Vou-me entretendo vendo o areal a encher
E o sol vai subindo
Na pele o calor
Nos olhos o azul do mar

Aqui ao lado, eu
deitado ao lado do escritor que teima em debitar palavras

(escrito em 28/07/2011 )

Sábado, Setembro 17, 2011

Jazziazuis

Ora cá estou de novo , desta vez para falar de musica
Temos que entre a musica brasileira e o Jazz há muitos pontos de encontro
No limite Tom Jobim e Stan Getz
Pois hoje queria aconselhar um duplo álbum ao vivo - Mulishow
Caetano Veloso e Maria Gadu, a velha e a nova guarda da musica popular Brasileira.
De Caetano já conhecemos a longa História, Maria Gadu apareceu há pouco e também, vale a pena a solo
Ainda uma palavra para uma outra cantora Brasileira : Céu de seu nome, ouçam e deliciem-se
E já agora bom jazz e bom fim de semana

Sábado, Julho 09, 2011

Chove em Paris


A chuva caia miúda nas calçadas
Percorria os boulevards enchendo-me da história que por ali se sentia
sem ligar ao cabelo longo e encaracolado que ia escorrendo
Nos ouvidos a música de brell
Na boca o sabor do café sem gosto
noutros dias percorria o longo do sena na sollex
minha companheira do dia a dia
Vendo a teimosia do rio a correr para norte
Os velhos alfarrabistas nas suas bancas de encantar

E os croque-monsieur e as demi na brasserie s. michel
E as noites em casas de empréstimo
e no albergue do canal onde chegava a tempo da entrada e preferia o cheiro dos meus sovacos ao que emanava das velhas putas e dos clochards

Domingo, Junho 12, 2011

Tempo de gaivotas



O tempo era de gaivotas
que soltavam os seus ais ao rio
Era o tempo doa amores
Que se foram perdendo

Tempo das lutas
e das conquistas
que se foram esvaindo

O tempo era das ruas percorridas
envolto nos ares de Abril
O tempo dos beijos furtivos
das noites vigilantes

Tempo em que o rio
Nos transmitia outro azul
E riamos confiantes

A raiva do vento era a nossa
O amor era o nosso
E íamos em frente
Mão na mão

As esquinas já estão gastas
Os amores já não os há
A tristeza cai sobre o rio
Mas as gaivotas continuam
Confiantes
Na próxima traineira